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AMBIENTE E EVENTOS EXTREMOS – Ciclo Ambiente (1/2)

ICEA – Instituto de Cultura Europeia e Atlântica
SESSÃO CULTURAL
“Ambiente e Eventos Extremos”
Ciclo AMBIENTE – Sessão (1/2)
Auditório Municipal de Santa Marta
Largo de Santa Marta, 9 – ERICEIRA
GPS: 38° 57′ 41″ N 9° 25′ 07″ W
20 de Junho de 2026, 15H – 18H
ENTRADA LIVRE
PROGRAMA
Oradores:
José Luís Zêzere, Eventos extremos e riscos hidrogeomorfológicos em Portugal.
André Fernandes, Proteção Civil e Eventos Extremos – Da preparação à Resposta. (impedimento justificado)
Moderação: José Ferreira Durão
TEXTO:
Os fenómenos naturais com potencial destruidor estão a aumentar de intensidade e frequência? O que dizem as estatísticas sobre as relações de causa efeito entre desastres naturais e alterações climáticas? E em que medida eles estão associados ao Ordenamento (ou desordenamento) do Território? O que são riscos hidrogeomorfológicos? As nossas diversas figuras de planeamento integram o suporte físico que é efectivamente, na sua base, o terreno ou o território?
Estas e muitas outras questões prenderam a atenção dos presentes em mais um encontro do Instituto de Cultura Europeia e Atlântica (ICEA), organização sediada na Ericeira, com 23 anos de intensa atividade na promoção do conhecimento.
No sábado 20 de junho, no auditório de Santa Marta, local habitualmente escolhido pelo ICEA para estas sessões de debate e aprendizagem colectiva, o orador convidado foi José Luís Zêzere, professor e investigador internacionalmente reconhecido, um apaixonado pelo seu trabalho que também por isso conseguiu conquistar a audiência para um tema altamente especializado: “Ambiente e Eventos Extremos”.
Cheias, deslizamentos, incêndios, ventos, ondas de calor, sismos, são processos naturais potencialmente danosos para o homem e para as suas atividades.
Mas os conhecimentos científicos actuais permitem medir o risco da exposição a muitos destes perigos.
Permite-se construir no leito de um rio? Se o rio voltar ao seu percurso, devido a intensas chuvadas inundando as terras, estamos perante um desastre natural ou perante uma decisão política desastrosa?
É que os licenciamentos são em última análise uma opção política. Seria expectável que estas decisões tivessem em conta os riscos. E que estes fossem devidamente estudados e integrados em Planos Directores Municipais (PDM) , Planos de Pormenor e por aí fora.
A expansão da população e das atividades económicas para zonas naturalmente expostas a perigos naturais é um problema generalizado.
E grande parte da factura que estamos a pagar resulta do (des)ordenamento territorial que temos.
José Luís Zêzere deixa claro que existem meios para identificar e analisar os riscos, transmitindo-os aos decisores. “Um processo preditivo”, explica. Para saber com o que contar…”antes que a terra caia”.
E recordamos as imagens vezes sem conta passadas na televisão, os deslizamentos de terra que fizeram ruir as estradas, a sorte de nem um carro ter passado nesses momentos.
Como era inevitável também os 24 dias críticos em termos de precipitação (21 Jan a 14 fev 2026) foram analisados.
O inventário do evento de instabilidade no Oeste e AML ainda corre. Para o especialista “estamos a ver coisas novas”.
“Um voo de fotografia aérea podia ajudar”, lança num tom crítico.
E a concluir José Luís Zêzere disse que em Portugal há muitos sítios seguros para construir. Só que a nossa legislação é pouco flexível do ponto de vista da propriedade dos terrenos e a gestão territorial muito complicada.
Pedro Carrilho, Eng.º florestal, actual Coordenador da Proteção Civil do Município de Mafra, foi outro especialista e operacional presente, neste encontro do ICEA e uma grande mais valia.
Pedro Carrilho lembrou que Mafra integra o movimento dos Municípios e Cidades Resilientes e fez um relato detalhado da intervenção da proteção civil nesta crise.
Sem feridos nem mortos a registar, recorda a dificuldade vivida com uma das 21 famílias retiradas das suas residências. Tratava-se de um casal idoso cuja habitação ruiu completamente durante a noite, apenas seis horas depois de os terem convencido a sair de casa.
Ainda com o Plano Municipal de Emergência ativado, Pedro Carrilho debate-se já com a enorme vontade de arranjar maneira de melhorar a comunicação de risco. E de preparar o cidadão civil. Imaginar-se que o momento crítico tivesse sido na hora em que as famílias saiam para a escola e trabalho em vez de ter sido durante a noite? Mesmo com as autoridades em estado de prontidão especial o cidadão ainda fica muito entregue a si próprio. A menos que se mantenha em casa corre risco. Porque chuva, vento e calor podem matar.
Rogério Bueno de Matos – (Associado do ICEA)
FOTOS: (clicar para ampliar imagens)

















































