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Que futuro para o Turismo na Ericeira: Um mal irremediável ou Um bem essencial?
Novembro 15, 2025 @ 15:00 - 18:00

ICEA – INSTITUTO DE CULTURA EUROPEIA E ATLÂNTICA
em SESSÃO CONJUNTA COM AZUL – Ericeira Mag
Que futuro para o Turismo na Ericeira: Um mal irremediável ou Um bem essencial?
Auditório da Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva – ERICEIRA
Rua Mendes Leal, 13 – 2655 – 357 ERICEIRA
Coordenadas GPS: 38°57’47.71″N / 9°25’03.89″W
15 de Novembro de 2025 – das 15 às 18 horas
ENTRADA LIVRE
PROGRAMA:
15.00h – Apresentação do filme Identidade: As Cores da Ericeira, de Sara Guix.
15:30h – Comentário ao filme, por Maciej Dekert.
15:45h / 16:30h – Mesa-Redonda, com a participação de:
Hélder Sousa Silva (Eurodeputado), Pedro Bicudo (SOS – Salvem o Surf), Miguel Toscano (Ericeira Surf Club) e Vera Azevedo (investigadora, autora do livro Surf e Patrimonialização do Mar na Ericeira).
16:30h / 16:45h – Debate.
16:45h / 17:00h – Cofee break.
17:00h / 17:45h – Mesa-Redonda, com a participação de:
José Maia (especialista em Turismo), Hugo Moreira Luís (Presidente da Câmara Municipal de Mafra) e Joaquim Casado (Presidente da Junta de Freguesia da Ericeira).
17:45h / 18:00h – Debate.
Moderação: José Constantino Costa (ICEA) e Hugo Rocha Pereira (AZUL)
Texto de introdução à sessão:
Sei que muitos de nós trocávamos de bom grado esta sala por um café na Esplanada da praia do Sul, a ver o mar, mas hoje estamos aqui para falar precisamente sobre como garantir que essa vista continue a existir e a ser nossa.
Falamos da Ericeira. Da nossa Ericeira – esta vila tão bonita e atraente. José Hermano Saraiva dizia que “A Ericeira não tem banhistas, tem devotos”. É o que eu sinto…
A vila que aprendeu a viver entre o mar e o mundo e que sabe tão bem ser anfitriã; onde um surfista australiano ou sul-africano se sente encorajado a discutir o tempo e as ondas com um jagoz, encostados ao muro das Ribas, num português mais ou menos improvisado, ou para ir à Loja da Amélia, comprar “queijinhos frrrescos”.
A verdade é que o turismo nos trouxe muitas ondas – umas boas e outras que ainda estamos a aprender a apanhar sem cair da prancha.
Nos últimos anos, a Ericeira tornou-se um destino de sonho. Reserva Mundial de Surf, símbolo de qualidade de vida, um nome que corre o mundo nas redes sociais e nas revistas de viagens. Mas também se tornou palco de um debate que mexe connosco: Será o turismo um mal irremediável ou um bem essencial?
É, talvez… a pergunta do milhão!
Porque o turismo traz dinamismo, traz emprego, traz investimento.
Mas traz também desafios: há falta de casas, há preços mais caros, há lojas tradicionais que desaparecem, há mais trânsito, mais ruído e há aquela sensação de que a Ericeira – que sempre foi casa – começa, por vezes, a parecer-se mais com… cenário.
E é aqui que precisamos de parar e pensar: Queremos ser uma marca, ou queremos continuar a ser uma comunidade? Queremos um turismo que nos visite… ou um turismo que nos pertença?
O futuro não é inevitável. Não há “mal irremediável”, se houver vontade de fazer melhor. O que há é um caminho a construir – juntos – entre quem vive aqui, quem aqui trabalha e quem nos visita.
O turismo pode, e deve, ser um bem essencial – não porque precisamos de mais turistas, mas porque precisamos de um turismo melhor. Um turismo que respeite o mar que nos alimenta, as ruas que nos contam histórias e as pessoas que dão alma à Ericeira.
E, para isso, é preciso ouvir todas as vozes:
O surfista que vem uma semana, aquele que aqui vive, o empresário que investe, o jovem que não encontra casa, e até o turista que, depois de cá vir uma vez, decide ficar – porque se apaixonou, como nós, por este pedaço de mundo.
Hoje, neste seminário, temos a sorte de juntar cabeças e corações de várias áreas: autarcas, empresários, investigadores, ambientalistas, turistas, jagozes, ericeiristas… uns trazem dados, outros experiências, outros apenas o bom senso – que às vezes é o que mais falta nas decisões.
Não estamos aqui para culpar ninguém. Estamos aqui para imaginar o futuro. Um futuro em que o turismo seja aliado da qualidade de vida. Em que os visitantes respeitem o território como quem entra na casa de um amigo… daqueles que tiram os sapatos antes de pisar o tapete.
Deixo um desejo: que esta tarde nos inspire, que daqui saiam ideias, projetos e, sobretudo, compromissos, que a Ericeira continue a ser lugar de encontro — entre o mar e a terra, entre o local e o global, entre o passado que nos orgulha e o futuro que ainda podemos escolher.
Porque se há coisa que esta vila nos ensina é que não há onda que não possa ser surfada – se tivermos equilíbrio, visão e, claro, um pouco de paciência.
Muito obrigado – e que comecem as boas conversas! E para as começar, nada melhor que vermos o documentário Identidade – As Cores da Ericeira, realizado por Sara Guix. Mas antes, ouçamos a Sara… Texto lido, da Sara Guix
José Constantino Costa
FOTOS da sessão:






























































































